O que um certificado de análise de resina de canábis lhe diz, e o que não diz: o cabeçalho, os canabinoides e o THC total, os resíduos de pesticidas, as aflatoxinas e a microbiologia, explicados com um exemplo ilustrativo.
Para um comprador licenciado, o certificado de análise (COA) é o documento mais importante numa compra de resina. Diz-lhe o que está a importar, se cumpre os limites do seu mercado e se o lote que recebe é o lote que foi analisado. No entanto, os COA variam muito em formato, profundidade e idioma, e os pormenores mais importantes encontram-se muitas vezes nas notas de rodapé.
Este guia percorre um COA de resina de canábis secção a secção, tal como o lê a equipa de qualidade de um importador: o cabeçalho, os canabinoides, os resíduos de pesticidas, as micotoxinas, a microbiologia e as letras pequenas.
Antes de olhar para qualquer número, leia o cabeçalho. Indica a que amostra pertencem os resultados, e um COA só é útil na medida dessa ligação.
| Campo | Exemplo (ilustrativo) | O que verificar |
|---|---|---|
| Cliente | A denominação social do produtor | Corresponde à entidade jurídica que consta das licenças do produtor |
| Tipo de amostra | Resina de canábis | Corresponde ao produto que está a comprar |
| Identificação | Lote: EXAMPLE-001 | O número de lote corresponde à sua entrega |
| Local de amostragem | Unidade de produção | Onde foi colhida a amostra |
| Data de amostragem | Dia 1 | A antiguidade dos dados face à sua remessa |
| Receção / análise | Dia 2 | O tempo decorrido entre a amostragem e a análise |
| Emissão do relatório | Dia 4 | A data do relatório, não a data de amostragem |
| Amostragem efetuada por | O laboratório | Quem colheu a amostra: o laboratório ou o produtor |
Aqui, três perguntas são as mais importantes. O número de lote é o do lote que está a comprar? Um COA de outro lote informa-o sobre a qualidade habitual do produtor, não sobre a sua mercadoria. Qual a sua antiguidade? Os teores de canabinoides podem alterar-se durante o armazenamento, pelo que um COA mais antigo é menos representativo. Quem colheu a amostra? Uma amostragem feita pelo laboratório ou um plano de amostragem documentado oferece mais garantias do que uma amostra escolhida e enviada pelo vendedor. As letras pequenas do relatório indicam normalmente quem foi o responsável.
A secção dos canabinoides é a que a maioria dos compradores lê primeiro. A resina é normalmente analisada por cromatografia líquida (HPLC), muitas vezes com deteção UV (HPLC-UV). Um resultado ilustrativo poderia ser o seguinte:
| Canabinoide | Resultado de exemplo (ilustrativo) |
|---|---|
| CBDA | 1,00 % |
| CBD | 3,00 % |
| CBD total | 3,88 % |
| THCA | 20,00 % |
| THC | 2,00 % |
| THC total | 19,54 % |
Formas ácidas e neutras. A canábis produz os canabinoides nas suas formas ácidas, THCA e CBDA. O calor converte-os em THC e CBD (descarboxilação), e o tempo também, lentamente. A HPLC não aquece a amostra, pelo que mede as formas ácidas e neutras separadamente. É por isso que um bom COA de resina indica ambas.
Como se calcula o «total». Quando o THCA perde o seu grupo carboxilo, perde também massa, pelo que 1 g de THCA dá cerca de 0,877 g de THC. A fórmula padrão é:
No exemplo: 2,00 + 0,877 × 20,00 = 19,54 %. O CBD total calcula-se da mesma forma: 3,00 + 0,877 × 1,00 = 3,88 %. Verificar esta aritmética num COA real demora dez segundos e confirma que o laboratório utilizou a conversão padrão.
O que perguntar. A percentagem é expressa em massa por massa (m/m)? Qual é a incerteza de medição? Muitos relatórios não indicam nenhuma das duas, e as conclusões são frequentemente formuladas sem ter em conta a incerteza. Se o seu contrato prevê um limiar de potência, acorde a forma como a incerteza é tratada. Verifique também quais os canabinoides analisados: se a sua especificação exige CBG, CBN ou outros canabinoides minoritários, peça-os expressamente.
A pesquisa de pesticidas é o ponto em que os COA de resina mais diferem, porque o número de substâncias analisadas pode ir de algumas unidades a várias centenas. As pesquisas alargadas são normalmente efetuadas em dois instrumentos:
Na Europa, os laboratórios baseiam frequentemente o seu método na NF EN 15662, a norma europeia para a análise multirresíduos de pesticidas, e avaliam os resultados face aos limites máximos de resíduos (LMR) da UE.
Três aspetos a ler com atenção:
Um pormenor a conhecer: as tabelas longas de pesticidas indicam muitas vezes apenas a substância e o respetivo LQ, com o resultado global numa única linha de conclusão. É normal. Significa que nada foi quantificado, pelo que não existe um valor por substância a apresentar.
A resina provém de material vegetal seco, e um material mal seco ou mal armazenado pode desenvolver bolores que produzem micotoxinas. Os laboratórios analisam habitualmente as quatro aflatoxinas regulamentadas por UPLC-MS/MS ou por um método semelhante:
| Aflatoxina | Resultado de exemplo (ilustrativo) | LQ de exemplo |
|---|---|---|
| B1 | < LQ | 0,5 µg/kg |
| B2 | < LQ | 0,5 µg/kg |
| G1 | < LQ | 0,5 µg/kg |
| G2 | < LQ | 0,5 µg/kg |
| Aflatoxinas totais | < LQ | 2,0 µg/kg |
Repare nas unidades: µg/kg, mil vezes menores do que os mg/kg utilizados para os pesticidas. Procure também uma nota de rodapé sobre a recuperação. Muitos laboratórios apresentam resultados «não corrigidos para a recuperação», ou seja, indicam o que mediram sem ajustar à fração de analito perdida durante a preparação da amostra. É uma prática corrente, mas tem importância quando os resultados estão próximos de um limite.
As aflatoxinas não são as únicas micotoxinas. Consoante o seu mercado, a sua especificação pode exigir também a ocratoxina A. Se não constar do COA, peça-a antes do contrato e não depois da chegada da mercadoria.
Nos mercados que aplicam exigências farmacêuticas, a microbiologia é frequentemente analisada com métodos da Farmacopeia Europeia: 2.6.12 para as contagens microbianas e 2.6.31 para os microrganismos especificados em produtos à base de plantas. Os resultados são avaliados face a critérios definidos:
| Análise | Método | Critério de exemplo | Resultado de exemplo (ilustrativo) |
|---|---|---|---|
| Contagem total de microrganismos aeróbios | Ph. Eur. 2.6.12 | ≤ 10⁵ UFC/g | 1,0 × 10³ UFC/g |
| Contagem total de leveduras e bolores | Ph. Eur. 2.6.12 | ≤ 10⁴ UFC/g | 1,0 × 10² UFC/g |
| Escherichia coli | Ph. Eur. 2.6.31 | Ausência em 1 g | Ausência |
| Salmonella | Ph. Eur. 2.6.31 | Ausência em 25 g | Ausência |
| Bactérias gram-negativas tolerantes à bílis | Ph. Eur. 2.6.31 | < 10⁴ NMP/g | < 10 NMP/g |
Ler os números. UFC significa unidades formadoras de colónias. «1,0 × 10³» (escrito 1,0.10³ em alguns relatórios em francês) corresponde a 1000 UFC por grama. NMP é o «número mais provável», uma contagem estatística utilizada em algumas análises. As análises de ausência são do tipo conforme/não conforme, e a quantidade importa: a Salmonella é normalmente pesquisada em 25 g, a E. coli em 1 g. Os próprios critérios decorrem das exigências do seu mercado ou da edição da farmacopeia citada, pelo que deve verificar se correspondem à sua especificação.
Um pormenor que revela um laboratório rigoroso. Os bons relatórios indicam que a adequação do método, incluindo a neutralização de qualquer atividade antimicrobiana da amostra, foi testada no produto. Os materiais vegetais podem inibir o crescimento microbiano no próprio ensaio, o que faria as contagens parecerem melhores do que são. A validação exclui essa possibilidade.
Os relatórios laboratoriais incluem declarações padrão fáceis de ignorar e importantes de compreender. Procure as seguintes:
Nenhuma destas declarações é um sinal de alarme; é assim que os laboratórios acreditados apresentam normalmente os resultados. Mas definem o que o COA prova e o que não prova.
Um COA responde apenas às perguntas que foram feitas. Consoante o seu mercado, o produto e a utilização, a sua especificação pode exigir também:
A regra prática: acorde no contrato o painel de análises, o laboratório e os limites de aceitação, antes de o lote ser produzido ou reservado.
Cada lote da nossa resina sem solventes, da Dry Resin à Static Resin e à Powder Resin, dispõe de um certificado de análise. Os canabinoides são perfilados no nosso laboratório HPLC interno, cada lote tem um perfil de terpenos e os contaminantes são analisados por laboratórios independentes. Os relatórios completos, juntamente com as nossas autorizações ANRAC e a nossa declaração WHO-GACP da LSQA, são partilhados com os compradores aprovados no portal. Para as licenças e os métodos analíticos que as sustentam, consulte Qualidade e Conformidade. Para avaliar um produto específico, utilize o botão Pedir um COA ou candidate-se como comprador licenciado.
A maior parte do THC presente na resina encontra-se sob a forma de THCA, a forma ácida. O THC total converte o THCA no seu equivalente em THC (multiplicando por 0,877) e soma o THC já presente. Com valores ilustrativos de 2,0 % de THC e 20,0 % de THCA, o THC total é 2,0 + 0,877 × 20,0 = 19,54 %.
O resultado está abaixo do limite de quantificação: a concentração mais baixa que o método consegue medir de forma fiável. Não prova que a substância esteja totalmente ausente, apenas que qualquer quantidade presente se encontra abaixo desse limite.
Não. Um COA descreve a amostra analisada, e os laboratórios acreditados indicam que os resultados dizem respeito apenas a essa amostra. Confirme que o número de lote do COA corresponde ao lote que recebe.
Os compradores aprovados encontram os relatórios laboratoriais completos no portal de compradores. Pode também pedir o COA de um produto específico através do botão Pedir um COA nesta página ou em qualquer página de produto.